Thursday, July 14, 2005

Final

Estavas deitada na cama quando cheguei. Dormias a sono solto quando olhei para ti. Vestias uma T-shirt branca estampada com qualquer coisa que não me interessava e vestias uma calcinhas vulgares de quem só quer dormir. Estavas coberta pelo lençol que parecia aquecer-te o suficiente pare te deixares ficar assim.

Olhei com desejo, mas tu dormias. Olhei-te com volúpia mas o meu deleite não se contentava com tal. Despi a roupa que trazia e entrei na casa de banho para um duche rápido. Ouvi-te virares-te na cama, sem acordares, antes de entrar para o banho. Enquanto a água corria pelas minhas costas, percorrendo as minhas nádegas antes de tocar no chão, eu pensava em ti e em como te queria possuir naquela noite, instantes depois de sair do banho.

Sequei a minha pele ao turco branco a que te costumas limpar pela manhã. Olhei-me ao espelho e vi o meu desejo crescer por ti. Entrei no quarto e vi o teu pescoço banhado pelos teus cabelos cujo aroma se espalhava por todo o quarto. Sem vergonha avancei para ti com todo o meu pujante desejo pronto para te devorar. Mas tu dormias, apenas dormias. Fui para a sala, nu, e liguei a televisão sem som. Na imagem surgia uma orquestra sinfónica a tocar uma obra qualquer que não podia ouvir. Coloquei som na televisão e o segundo andamento da sétima sinfonia de Beethoven eclodiu por toda a sala. Perante a beleza da música recostei-me no sofá e pensei no corpo que tinha visto ainda há pouco no quarto ao lado e comecei a tocar-me, ao de leve, com desejo, com muito desejo por ti, com todo o desejo por ti. A música fez correr em mim algumas lágrimas e olhei para a porta do quarto. A tua esbelta silhueta erguia-se na sua porta contra o fundo de luz amarela que emanava do candeeiro da mesa de cabeceira. Olhaste-me como quem acaba de acordar e avanças para mim. Eu estou nu, no sofá, sozinho, envergonhado porque me toco, me toco por ti.

Tu colocas-te à frente da televisão e perguntas:

- O que é que se passa?

E eu baixo os olhos com vergonha de mim, com vergonha do meu sexo pouco digno de ti.

E tu? Tu despes a t-shirt e avanças para mim. Abres as pernas e sentas-te ao meu colo, olhando o meu sexo erecto e olhando para mim. Pegas no comando da televisão que desligas e agarras no do rádio que ligas. O som do início do segundo andamento da sétima sinfonia de Beethoven ecoa pela sala, e não consigo conter as lágrimas que correm pela minha face. Tu olhas-me e beijas o meu resto cheio de sal das lágrimas que verti e introduzes a tua língua na minha boca no beijo mais intenso que alguma vez pude experimentar. As minhas mãos percorrem a tua cintura e abraçam-na com rigidez. Sinto assim, e finalmente, o teu corpo cair para mim.

A minha boca no teu peito não demora um segundo, onde sugo os teus mamilos durante horas. Começo pelo esquerdo, em lambidelas suaves, alternadas com pequenas mordidelas inofensivas, onde sinto os teus mamilos eriçar. Sigo para o direito percorrendo todo o caminho com a minha língua húmida, até ao mamilo já eriçado e pronto a ser chupado pelos meus lábios. Enquanto a minha língua explora o teu peito, a minha mão explora as tuas costas e entra pelas tuas cuecas. E é quando a minha mão direita percorre o teu rabo e se intromete entre as tuas nádegas que ouço o teu primeiro gemido de prazer. E é quando a minha mão desce um pouco mais que sinto toda a humidade que verte do teu corpo clamando por mim. Afasto-te então um pouco e pego em ti ao colo, beijando a tua boca, e levando-te para o quarto...








De manhã, quando acordaste e te viraste para o lado, eu já lá não estava.

Apesar de final, este delírio que te dedico não passa de um caminho que me leva a ti. Continuarei sempre a ver-te e a falar contigo por outros caminhos, mais privados mas sempre electrónicos. Quem sabe se um dia não nos venhamos a ver...



Querida loirinha,

Até sempre

Monday, July 04, 2005

Pelos pés

Pelos pés, foi pelos pés que comecei a explorar-te. Estavas a dormitar em cima da cama e nem deras pela minha chegada. Estavas nua, de barriga para baixo com o ouro dos teus cabelos espalhado pela tua cara.

Toquei-te ao de leve na planta do pé, toquei-te com apenas três dedos. Toquei-te tão levemente que nem sequer acordaste, continuando a dormitar. Apenas com o indicador subi pelo interior da tua perna e a tua pele reagiu. Mexeste a cabeça e eu soube que tinhas acordado, mas continuaste a jogar. Chegado ao teu rabo, continuei a descobrir os teus recantos só com o indicador, só para te ver nua, só para poder ver a tua pele reagir ao toque dos meus dedos. Colocaste as mãos atrás das costas em submissão. E eu olhei-te com o desejo do caloiro adolescente perdido nas suas hormonas. E com o ímpeto desse adolescente despi-me e deixei que o meu desejo se elevasse no ar. Saltei para cima de ti e tentei possuir-te por baixo de mim. Mas tu querias o prazer do amor e não o sexo adolescente que eu tinha para te dar. A loucura trespassou-me e então atiraste-me para o chão colocando um pé bem sobre o meu peito, esmagando-me contra o chão. Os teus olhos eram fogo, tinham desejo, queriam possuir-me mais do que eu a ti, mas tu querias amar verdadeiramente a noite toda, e foi aí que compreendi como o poder do amor nos pode levar a orgasmos nunca antes sentidos.

Beijos ardentes e amantes

Thursday, June 23, 2005

SEGREDOS

Estavamos sentados lado a lado virados para o mar. Tinhamos estado a conversar toda a tarde e uma profunda cumplicidade descansava entre nós. O Sol estava prestes a pôr-se e os nossos olhares perdiam-se no horizonte. Distraidamente as nossas mãos tocaram-se e os nossos dedos cruzaram-se como por magia. Olhei para ti vendo o teu perfil contra o laranja do céu. Toquei-te ao de leve na face e tu olhaste para mim. O teu olhar era triste mas acho que o meu também. Abraçámo-nos com força e dos nossos olhos correram lágrimas.

Naquela tarde partilháramos os nossos segredos e agora partilhávamos as nossas lágrimas.

Depois daquele dia passámos a ser amantes, amantes eternos, amantes verdadeiros, amantes daqueles que, mesmo sem dizer nada, mesmo sem se tocarem, partilham o amor.

E depois fizemos amor,
mas essa parte da história terá de ficar para mais tarde...

Beijos, milhões de beijos...

Tuesday, June 14, 2005

A ausência só revela que a inspiração não tem sido digna de ti...

Tuesday, May 31, 2005

Bons Sonhos


Estavas tensa. Tinhas passado o dia sentada naquela estúpida secretária a estudar. Felizmente correra bem e sentias-te preparada para o exame do dia seguinte. Recostaste-te na cadeira com preguiça. O quarto era apenas iluminado pela luz do candeeiro da secretária; tudo o resto era escuro. Estavas sozinha em casa e vestias apenas uma T-shirt branca e umas velhas calcinhas de quando entraras para a Universidade. Lembravas-te daquele dia em que saíras já tarde da Faculdade e te sentaras à beira do Douro a ver o por do Sol com um íntimo amigo que acabaras por beijar. Não aceitaste subir para o seu quarto pois já na altura achavas aquelas cuequitas antiquadas...

Levantaste-te da cadeira e sorriste. “Hoje não teria importância...” pensaste. Foste até à casa de banho onde tiraste a T-shirt que deixaste cair ao de leve sobre o chão e abriste a água para um banho quente e perfumado com sais. Olhaste o teu corpo ao espelho com as tuas calcinhas e sorriste. “Apesar de tudo, se calhar voltaria a não subir.” Sentias-te mais velha, mais madura, mais adulta. Sentias-te ao mesmo tempo mais sexy do que nunca e com todo o desejo a florescer. Quando, sentada na sanita, olhavas a peça interior um pouco a baixo dos joelhos voltaste a divagar “A diferença é que eu hoje nunca sairia com estas cuecas.” Levantaste-te e puxaste o autoclismo. Com a banheira quase cheia fechaste a água e entraste. Deixaste a água entrar nos teus cabelos e mergulhaste a cabeça deixando o ar sair a pouco e pouco pelo nariz. Quando finalmente colocaste a cabeça para trás e deixaste a tensão fluir na água, foi quando pude finalmente beijar o teu cabelo e afastar-me para te deixar dormir.

Tu não me viras, mas eu estivera sempre ali a velar por ti.
Boa Noite

Olhares

Olhares perdidos no mar perscrutam a tua pessoa. Olhando bem ao longe vejo um braço agitado que logo desaparece para aparecer a meu lado. Tocas a minha mão e eu olho o teu sorriso e o teu corpo nu. Abres os braços para me receberes no teu ninho. Deito a cabeça no teu peito e tu afagas-me o cabelo e enlaças-me com as pernas...




E ficamos assim durante horas, sem mais nada, só com o carinho um do outro.




E assim fizemos amor,
porque nem só com sexo se faz amor.

Beijos ternos

Tuesday, May 24, 2005

Outra Televisão

Entraste na sala onde estava sozinho a olhar a televisão. Passei os olhos por ti e fiquei surpreendido. Já tinha visto o teu corpo vagueando pelo Hotel mas as roupas largas não faziam supor a mulher que de facto eras. Sentaste-te a meu lado. Tinhas umas calças justas em todo o lado e as tuas coxas varriam todos os que para elas olhassem. Olhei-te e sorri.

Não respondeste.

Olhávamos os dois o estúpido televisor onde um apresentador de sete cabeças falava sobre tudo o que não tinha interesse como se fosse o fim do mundo.

Abriste ligeiramente as pernas e, para minha enorme surpresa, começaste a tocar-te nas cochas.
Rapidamente a tua mão deslizou para dentro das calças e gemeste de prazer.

Toquei-te levemente no joelho ao que fui, de imediato, repelido.

Os movimentos da tua mão dentro das calças eram cada vez mais intensos.

Olhava eu atónito, sem reacção, todos os teus sentimentos perante a minha impotência.

Colocaste então a tua mão livre sobre o meu pénis que de imediato se irisou.

Mal podia acreditar.

Via as pessoas lá fora a passar e eu sem saber o que fazer. Então desapertaste os botões das minhas calças e acariciaste-me. A tua mão fria sabia o que fazer. Caminhámos juntos até ao céu onde um anjo nos juntou num orgasmo simultâneo.

Quando voltei a mim já tu ías saindo bamboleante perante este meu ser.

Nessa altura entravam dois velhotes que me sorriram. Coloquei apressadamente a camisa para fora das calças, disfarçando o estrago, e levantei-me discretamente retribuindo o sorriso.

Ao sair da sala, olhei de soslaio para trás onde a velhota, cumplicemente, me piscava o olho.

Desta vez fôra apanhado!

Televisão

Cheguei a casa. Tinhas saído.

O teu perfume pairava no ar feito paixão sem caminho.

Fui ao frigorífico e retirei uma garrafa de vinho branco que abri à bruta, deitando a rolha para o chão. Bebi meia garrafa de um trago e fiquei sentado à espera do efeito olhando o tecto...

Em momentos vi a televisão à minha frente rolar e o apresentador transformar-se num mostro de sete olhos. Apaguei aquela coisa e esperei por mais efeitos.

Nada veio, apenas o silêncio. Tu não estavas em casa.




Adormeci a chorar.





Tu não estavas em casa porque não vivias ali...

Sunday, May 22, 2005

Ainda aqui estou